O lutador Willian "Kabuto" Hiroyuki deu uma entrevista exclusiva ao Fantástico sobre sua recuperação desde que foi vítima de um golpe desleal durante uma luta de jiu-jitsu em Londrina, no Norte do Paraná.
Depois de passar semanas internado, o lutador voltou para casa, que precisou ser adaptada às novas necessidades. A rotina agora inclui fisioterapia e cuidados de profissionais de saúde.
“Antes de eu poder deslizar por baixo, do nada, eu apaguei”, relembrou. “Quando vi, eu estava com o meu corpo jogado no chão, sem poder mexer nada do corpo.”
Kabuto sofreu a lesão em 22 de agosto, durante uma disputa na categoria absoluto, que permite confrontos entre atletas de pesos diferentes.
O impacto provocou uma luxação entre a quinta e a sexta vértebras cervicais, com compressão do canal medular e lesão grave na medula. Como consequência, ele teve perda de força dos movimentos, especialmente das mãos e do pescoço para baixo.
"É um dia de cada vez. Mas não vou negar que tem dias que são difíceis", afirmou Kabuto.
O vídeo da luta viralizou e chegou ao promotor Renato Castro, que também é praticante de jiu-jitsu. "Imediatamente eu disse: 'com certeza esse comportamento é criminoso'". Ele noticiou os fatos à polícia, que deu início às investigações sobre o caso.
"Até o momento ouvimos 10 testemunhas. À exceção de uma, todas elas falaram que o golpe praticado que gerou essa lesão foi um golpe proibido na luta de jiu-jitsu", disse o delegado Roberto Fernandes. "Ele correu o risco de praticar uma lesão séria, o que a doutrina chama de dolo eventual".
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Investigação
A organização garante que o torneio seguia todas as regras da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e que o árbitro agiu de acordo com o regulamento ao não parar o confronto quando Kabuto ainda estava suspenso, de cabeça para baixo.
"Ele não pode antecipar. Isso é da regra do esporte. Não tinha o que ele fazer. O que ele tinha que fazer, o que aconteceu aquilo, ele fez. Foi chamar a equipe de primeiros socorros ali pra fazer já os primeiros atendimentos com o William. E desclassificar o atleta", explica Cleber Takeuchi, organizador do campeonato.
Até esta reportagem, mais de um mês depois da luta, a CBJJ não havia se manifestado sobre o caso. Procurada pela equipe do Fantástico, a confederação afirmou que faz "a revisão contínua de suas regras, buscando preservar a integridade física e segurança dos atletas".
O adversário
Depois da lesão, Kabuto manteve a consciência e se lembra da reação do adversário.
"Ele não falou nada, só olhou para mim e continuou olhando para o teto, sem nenhuma reação", diz Kabuto.
O advogado Felipe de Melo, que representa Juliano, disse que o lutador buscou contato com o professor de Kabuto. "Por excesso de cautela, ele resolveu esperar o melhor momento, mas desde o princípio se colocou à disposição para auxiliar no que fosse necessário", afirmou.
Juliano se pronunciou nas redes sociais logo após o campeonato. "Eu, no intuito de defender algo ali, botei o joelho pro chão e o cara tava embaixo de mim, eu não percebi. O cara muito magrinho, o cara acho que pesa uns 70 quilos. E pra evitar o desequilíbrio, eu joguei o joelho pro chão e o cara tava embaixo. E não deu tempo de fazer muita coisa", afirmou.
Não é a primeira vez que ele é investigado por agressão. Em 2016, Juliano foi condenado ao pagamento de danos morais por "dar um tapa no rosto e aplicar uma gravata" em uma mulher.
Reabilitação
A casa da família já estava em reforma e precisou ser adaptada às novas necessidades. É ali, cercado pelos parentes e pelos profissionais que cuidam dele, que Kabuto começa uma etapa que ainda não tem previsão para terminar: a recuperação.
"Temos que ter esperança, porque ainda está muito cedo, muito precoce, e não podemos fechar nenhum prognóstico nesse momento", diz o médico.
"A primeira coisa é poder realmente ter a minha vida de volta, né?", afirma Kabuto.
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