Conheça a centenária estação ferroviária cenário de novelas e que recebeu até o Pelé
De transporte a cenário de novelas, filmes e propagandas, a estação Anhumas completa 100 anos de existência nesta segunda-feira (12). Inaugurado em 1926, o prédio atravessou diferentes fases da ferrovia paulista, testemunhou transformações na cidade e foi palco de diversas mudanças.
O local já recebeu artistas como Eva Wilma, Antônio Fagundes, Reynaldo Gianecchini e Débora Falabella durante as gravações de mais de 10 produções para televisão e cinema.
Segundo a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), até Pelé esteve na estação durante a filmagem de um comercial.
Após a desativação do transporte regular de passageiros, tornou-se um espaço turístico-cultural dedicado à preservação ferroviária no interior do estado - conheça a história da estação abaixo.
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Gravação de comercial com Pelé
Veja fotos do Pelé na Estação Anhumas, em Campinas
Pelé esteve na estação em 1998, para gravar uma propaganda de telefone. Na propaganda, o rei do futebol fazia uma viagem de trem que representava a passagem do tempo e recuperava sua infância e adolescência na cidade de Bauru (SP).
Anhumas ganhou, então, uma nova identidade para a gravação: a placa foi alterada e o espaço passou a representar o município do interior paulista.
“Ele veio aqui, ficou aqui, andou no trem e a gente pôde tirar uma foto com ele, ver ele pertinho”, contou Hélio Gazetta Filho, diretor administrativo regional de Campinas da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).
Mais de 20 novelas gravadas
Cenário onde Sinhá Moça, estrelada pelos atores Débora Falabella e Danton Mello, foi gravado
Bianca Garutti / g1
Ao longo dos anos, mais de 10 novelas já tiveram cenas gravadas no complexo ferroviário. Entre elas, estão:
O Rei do Gado
Terra Nostra
Esperança
Cabocla
Sinhá Moça
Chocolate com Pimenta
Era Uma Vez...
Éramos Seis
Além da Ilusão
Menino da Porteira
Marighella
Para Hélio, a mais marcante foi "Terra Nostra", exibida em 1999. A novela, que contava a história da imigração italiana no Brasil, levou muitos atores e figurantes para a estação e explorou a ferrovia em diferentes momentos da trama.
Bastidores de novelas
As gravações exigiam uma grande operação na estação. Segundo Hélio, produções da TV Globo chegavam com até sete ou oito caminhões carregados de figurinos, cenários e equipamentos para recriar a época retratada. “Até preparar tudo para eles virem fazer as filmagens era um negócio colossal”, disse.
O trabalho contava com o acervo da ABPF, que mantém vagões históricos para compor cenários de época. Para quem acompanhava a movimentação, a presença do elenco era parte do espetáculo: “Quando você via os artistas, os figurantes nisso aí, era um prazer imenso em saber que a gente tinha tudo isso para ser usado”, lembrou o diretor.
Criação, abandono e preservação
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A estação Anhumas foi inaugurada em outubro de 1926, como parte de uma modernização do trecho ferroviário. Antes dela, existia uma estação menor nas proximidades.
A história da ferrovia, porém, é ainda mais antiga. O trecho entre Campinas e Mogi Mirim foi inaugurado em 1875 pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.
A estação permaneceu sob administração da Mogiana até 1971. Depois, passou para a Fepasa e continuou em funcionamento até 1977, quando o trecho foi desativado.
“É um marco muito importante para a cidade de Campinas, trouxe muito progresso. A gente começa a andar aqui por ela, a gente fica imaginando quantas pessoas não embarcaram, desembarcaram aqui, principalmente os fazendeiros, né... alguns barões, baronesas, algum que era da região”, disse Hélio.
Depois do encerramento das atividades, a estação passou por um período de abandono. O diretor contou que moradores chegaram a usar a área e colocaram gado no pátio. A própria plataforma acabou sendo usada para instalar um tanque para lavar roupas.
Depois do encerramento das atividades ferroviárias, a estação passou por um período de abandono
Arquivo pessoal
A recuperação teve início nos anos 1980, quando a ABPF passou a trabalhar para conseguir a concessão do trecho entre Anhumas e Jaguariúna e recuperar a linha.
Atualmente, a operação no trecho tem finalidade exclusivamente turístico-cultural. Os passeios acontecem aos sábados, domingos e feriados, além de viagens especiais durante a semana, como as destinadas a grupos e escolas.
Segundo Hélio, a estação recebe cerca de 1,3 mil a 1,5 mil visitantes por fim de semana, chegando a aproximadamente 55 mil a 60 mil pessoas por ano.
Para manter o local preservado, é preciso seguir os padrões determinados pelo tombamento histórico. A bilheteria continua no local original, e a antiga residência do chefe da estação foi mantida dentro do complexo. A casa com quartos, sala, banheiro, fogão a lenha e banheira hoje é utilizada para a administração do prédio.
Pesquisadores, historiadores e apaixonados por ferrovias também ajudam a recuperar características do prédio a partir de fotografias e documentos antigos. Placas, letreiros e outros elementos são reproduzidos para manter a aparência da época.
Estação anhumas em 2026
Bianca Garutti / g1
Parte interna da Estação Anhumas
Bianca Garutti / g1
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