A dona de casa Amanda Martins, de 28 anos, viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo raspando a cabeça para passar por uma transição capilar no Espírito Santo.
Com mais de 2 milhões de visualizações, Amanda contou com a ajuda do marido para cortar o cabelo e declarou que a mudança "foi como voltar a vida".
A decisão ocorreu no final de julho após Amanda passar por um processo de autoconhecimento após o nascimento da primeira filha.
Especialistas apontam que a transição reconstrói a autoimagem e a identidade. A orientação de profissionais é que cada pessoa respeite o próprio tempo ao longo deste processo.
Uma dona de casa do Noroeste do Espírito Santo viralizou após publicar um vídeo raspando a própria cabeça para passar pelo processo de transição capilar. Nas imagens (assista acima), que já ultrapassaram 2 milhões de visualizações nas redes sociais, Amanda Martins, de 28 anos, conta com a ajuda do marido para cortar todo o cabelo, que estava na altura dos ombros.
Ao g1, a moradora de Barra de São Francisco disse que decidiu voltar ao cabelo natural após dois anos de alisamento. "Tirar ele foi como voltar à vida, aquele cabelo já não era mais parte de mim. Eu estou me sentindo a mulher mais linda do mundo, eu estou muito muito radiante".
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Segundo a cabeleireira especialista em cabelos naturais Lídia Vitorino, o processo de transição capilar consiste em retornar ao cabelo natural depois de passar por um procedimento químico como alisamento, relaxamento ou alguns tipos de botox capilar.
O processo de transição costuma ser gradual, mas há quem, como a Amanda, prefira ser mais "radical".
“Uma das formas [de se passar pela transição capilar] é o Big Chop (grande corte, em inglês). É, basicamente, cortar toda a parte do cabelo que ainda possui química, independentemente do comprimento. Dessa forma, a pessoa chega na sua textura natural mais rápido”, explicou.
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'O cabelo alisado não fazia parte de quem eu queria ser'
Amanda decidiu raspar a cabeça no final de julho, dois meses depois de fazer o último retoque do alisamento. Segundo ela, a decisão de começar a transição foi motivada por um processo de autoconhecimento após o nascimento da primeira filha.
“Eu engravidei em 2023 e, depois disso, o meu cabelo, que antes era lindo, ficou ‘capenga’. E aquilo mexeu demais comigo. Eu já não sabia mais como era a Amanda, sentia que tinha me perdido. Foi quando tomei a decisão de alisar o meu cabelo. O tempo passou e eu senti a vida voltando a fluir em mim. Comecei a me reconhecer e o cabelo alisado não fazia mais parte de quem eu queria ser”.
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Apesar da vontade de passar pelo processo, Amanda disse que queria um recomeço do zero.
"Sou uma pessoa ansiosa, e eu sabia que não teria paciência para esperar o cabelo passar por todo o processo da transição. Ter duas texturas, ficar com a autoestima baixa, aquilo ali também não era pra mim. E foi aí que com a ajuda da inteligência artificial eu comecei a ver como ficaria de cabelo raspado, comecei a consumir conteúdo de mulheres que tinha também raspado o cabelo, e falei: ‘Quer saber? É isso que vou fazer!'".
A ideia de filmar o momento do corte veio da vontade de criar uma memória acerca da nova etapa. Amanda disse que não esperava a repercussão do vídeo, que resultou em milhares de curtidas e comentários de outras mulheres que estão passando pelo mesmo processo.
"Eu estou muito muito feliz em ver que muitas mulheres também rasparam depois que viram o meu vídeo. Muitas comentaram que vão raspar, muitas me encontram na rua e disseram que também querem fazer isso. Eu estou em êxtase", completou.
Transição capilar pode reconstruir identidade, diz psicóloga
Especialistas apontam que o cabelo faz parte da identidade humana e que a transição capilar pode ser o caminho para reconstruir a relação com a própria imagem.
Segundo a psicóloga clínica Isabella Pientznauer, enxergar beleza e respeitar a forma natural das madeixas é, também, questionar padrões sociais que são internalizados.
"É comum que ao longo da vida a pessoa possa aprender a associar o cabelo natural como inadequado por conta de todo o aparato social que impulsiona certos padrões de beleza como os corretos. Existem estudos, inclusive, que falam sobre como a transição capilar pode abrir caminho para que novas referências sejam construídas, o que impacta diretamente no processo da reconstrução da autoimagem e da identidade", explicou.
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Para quem deseja passar pelo processo, a orientação é respeitar o próprio tempo.
“A transição capilar é um processo muito pessoal e não precisa acontecer no ritmo de ninguém. É natural que exista medo, insegurança ou receio de não se reconhecer no processo. A questão mais importante é que a escolha faça sentido para a própria pessoa, e não seja mais uma tentativa de corresponder às expectativas dos outros”.
A cabeleireira especializada em cabelos naturais, Lídia Vitorino destacou que cada transição é única, mas não permanente.
"Não existe uma obrigação de permanecer nessa escolha pra sempre. Alisar o cabelo novamente é uma possibilidade que continua existindo. Se depois de viver essa experiência, você perceber que não se identifica com o cabelo natural, tudo bem. O mais importante é que essa mulher tenha experimentado essa possibilidade e faça sua escolha de forma consciente", completou.
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