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Robôs, sensores e IA: o que é a Indústria 4.0 que avança nas fábricas do RS e integra pessoas com máquinas

30/08/2026

Robôs, sensores e IA: o que é a Indústria 4.0 que avança nas fábricas do RS e integra pessoas com máquinas

A Indústria 4.0 avança nas fábricas do Rio Grande do Sul. A tecnologia integra trabalhadores e máquinas por meio de sensores, inteligência artificial e análise de dados.

A operadora Elsa Quintana acompanha a evolução tecnológica há 33 anos. A Termolar iniciou projeto-piloto com 8 máquinas digitalizadas para reduzir desperdícios e prever falhas.

A fabricante Novus, em Canoas, reduziu em cerca de 30% as paradas não programadas. A empresa utiliza sensores em nuvem e substituiu os registros em papel.

Para atender ao mercado, universidades oferecem cursos de curta duração. O gerente da Fiergs, Victor Gomes, destaca que a tecnologia gera produtos com maior qualidade.

A chamada Indústria 4.0 já faz parte da rotina de empresas do Rio Grande do Sul. Sensores, inteligência artificial e sistemas capazes de analisar informações em tempo real estão transformando a forma de produzir e mudando a relação entre trabalhadores e máquinas dentro das fábricas.

Em empresas gaúchas, essa integração já aparece no chão de fábrica. Enquanto máquinas conectadas monitoram processos e geram dados continuamente, trabalhadores assumem funções cada vez mais ligadas à análise de informações e à tomada de decisões.

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Essa transformação combina automação, conectividade e análise de dados para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade da indústria gaúcha.

Da mecanização à conectividade

A chamada quarta revolução industrial representa mais uma etapa da evolução das fábricas:

A primeira foi marcada pela mecanização da produção com a máquina a vapor;A segunda trouxe a eletricidade e a produção em massa;A terceira introduziu a eletrônica, a informática e a automação industrial;Agora, a quarta revolução conecta máquinas, pessoas e dados em uma mesma rede inteligente.

Segundo o coordenador do Centro de Inteligência Artificial e Ciência de Dados da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Dalvan Jair Griebler, o diferencial está na aplicação conjunta de tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial, ciência de dados e robótica.

"O que diferencia é uma aplicação maior de tecnologias, como por exemplo a internet das coisas, a inteligência artificial e a ciência de dados e principalmente a robótica. São os três principais", diz Griebler.

Para o especialista, foi justamente o surgimento dessas tecnologias que permitiu a chamada quarta revolução industrial:

"Eu diria que foi o surgimento dessas tecnologias que está permitindo a quarta revolução industrial."

Mudanças já chegaram ao chão de fábrica

Há 33 anos trabalhando em uma indústria, a operadora de máquina Elsa Margarida Nunes Quintana acompanhou de perto a evolução tecnológica dentro das fábricas.

"Quando eu entrei, eu nunca imaginei que ia ter robô. Hoje a gente está aí com robô", comenta Quintana.

A experiência dela ajuda a contar essa transformação. Se antes o trabalho dependia principalmente das pessoas, hoje máquinas, sensores e sistemas inteligentes trocam informações continuamente. A produção gera dados em tempo real que ajudam a tornar decisões mais rápidas e precisas.

Uma das empresas que iniciou esse processo é a Termolar. A unidade produz cerca de 950 mil itens por mês e exporta para mais de 20 países. Sensores instalados nas máquinas passaram a enviar informações diretamente para sistemas digitais de controle.

Segundo o diretor de Operações e Supply Chain da Termolar, Gabriel Agostini, o objetivo é tornar a produção mais ágil.

"A ideia é tornar toda a produção mais ágil, ter respostas mais rápidas, ter produtos mais customizados. A gente consegue ter uma gama maior de produto com o mesmo tipo de equipamento e processo que tem hoje, otimizando com essa Indústria 4.0", comenta.

Atualmente, oito máquinas fazem parte do projeto-piloto. A estratégia é construir uma base antes de ampliar a digitalização, padronizando processos, organizando informações e entendendo melhor o funcionamento dos equipamentos. O objetivo é chegar a um estágio em que os dados permitam prever falhas, reduzir desperdícios e até ajustar automaticamente parte da produção.

"É gradual. A gente sabe que não consegue fazer tudo de uma vez só, mas é um processo gradual que não tem volta. A gente tem que seguir por esse caminho", diz o diretor.

Dados em tempo real

Em Canoas, a fabricante de dispositivos de automação Novus já opera em um estágio mais avançado de digitalização.

Sensores conectados às máquinas, computação em nuvem e análise de dados fazem parte da rotina da empresa. Na produção, funcionários acompanham em tempo real os dados da linha e a quantidade de materiais finalizados. Computadores e tablets substituíram boa parte dos registros em papel.

Segundo a empresa, as paradas não programadas foram reduzidas em cerca de 30%.

O diretor de Operações da Novus, Ronaldo Perotto, afirma que a tecnologia ampliou a visibilidade sobre os processos produtivos.

"Hoje, em tempo real, tu tem a informação de tudo que acontece no chão de fábrica."

Segundo ele, a digitalização também fortalece a competitividade.

"Os ganhos de eficiência e produtividade e a melhoria na resposta que tu dá para o cliente te tornam mais eficiente e mais competitivo para o mercado."

Novas competências

Mesmo com o avanço da automação e dos sistemas inteligentes, as pessoas continuam sendo protagonistas do processo.

Para Ronaldo Perotto, a transformação digital também ajudou a criar uma cultura de integração dentro da fábrica.

"Dar maior visibilidade e transparência ao que acontecia no chão de fábrica, buscando uma integração desde etapas de planejamento até a execução de um plano dentro da produção da fábrica."

"Além de dar essa visibilidade, é criar a cultura de integração, trazendo o conceito da tomada de decisão baseada em dados."

Com a produção gerando informações continuamente, cresce também a necessidade de profissionais preparados para interpretar esses dados.

Segundo Dalvan Jair Griebler, universidades já vêm investindo em cursos de curta duração para acompanhar a velocidade das mudanças no mercado.

"É uma via de mão dupla. A própria universidade tem investido em cursos de curta duração para justamente atender à velocidade do mercado."

O especialista afirma que o perfil do trabalhador também está mudando.

"O próprio perfil de funcionário está mudando, é uma mudança profunda. Algumas competências acabam sendo mais importantes do que outras. O profissional do futuro é aquele que consegue se adaptar."

Benefícios chegam ao consumidor

Para quem vive a rotina da indústria, a transformação vai além da tecnologia. Ela impacta diretamente a produtividade, a qualidade, a segurança e a competitividade das empresas.

Setores como metalmecânico, automotivo, alimentos e bebidas e agroindústria aparecem entre os que mais aceleram esse processo de modernização.

Segundo o gerente-executivo de tecnologia e inovação da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Victor Gomes, os consumidores muitas vezes não percebem a tecnologia por trás dos produtos, mas sentem seus resultados.

"A qualidade melhora e a oportunidade também de desenvolver produtos melhores e diversos é o que aparece para as pessoas que compram. As pessoas, às vezes, não sabem que estão comprando tecnologia. Elas percebem, na verdade, o valor na qualidade que o produto entrega."

Uma produção mais conectada significa menos desperdício, menos interrupções, mais segurança e processos mais precisos. Uma tecnologia que começa dentro das fábricas, mas chega ao consumidor na forma de produtos melhores e mais competitivos.

Para Elsa, a transformação continua acontecendo diariamente.

"A tecnologia vem vindo e as coisas vão mudando, componente vai mudando, todo o processo vai mudando. Então vai se evoluindo, vai se inovando tudo."

"A gente vai se adaptando e vai aprendendo."

Entenda as quatro revoluções industriais

1ª Revolução Industrial: mecanização da produção com a máquina a vapor.2ª Revolução Industrial: eletricidade e produção em massa.3ª Revolução Industrial: eletrônica, informática e automação industrial.4ª Revolução Industrial: conectividade entre dados, sensores, inteligência artificial e sistemas integrados.

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