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Rainha da polenta e apaixonada por viagens: quem é a atleta paralímpica do ES que amputou perna após câncer e 12 cirurgias

09/10/2026

Rainha da polenta e apaixonada por viagens: quem é a atleta paralímpica do ES que amputou perna após câncer e 12 cirurgias

A atleta paralímpica capixaba Luíza Fiorese recebeu alta no domingo (4) após amputar a perna. A decisão ocorreu depois de ela passar por 12 cirurgias desde a adolescência.

Aos 15 anos, ela foi diagnosticada com câncer no fêmur e substituiu parte do osso por uma endoprótese. Por causa disso, precisou deixar o handebol.

Em 2019, a capixaba iniciou no vôlei sentado. Pela seleção, ela conquistou bronze nos Jogos de Tóquio 2020 e ouro no Mundial da Bósnia em 2022.

Em junho, um espaçador ósseo se quebrou e causou complicações. Diante disso, Luíza escolheu a amputação em vez de colocar uma nova endoprótese temporária.

Luíza fará a reabilitação no Espírito Santo e planeja retomar viagens. Ela contou com o apoio do noivo Gabriel Garcia para tomar a decisão.

Natural de Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do Espírito Santo, Luiza Fiorese construiu no esporte uma nova trajetória depois de enfrentar um câncer ainda na adolescência. Aos 15 anos, a capixaba foi diagnosticada com um osteossarcoma no fêmur esquerdo e precisou substituir parte dos ossos da perna por uma endoprótese.

Antes do diagnóstico, Luiza praticava handebol. O tratamento, porém, fez com que ela precisasse deixar o esporte. Anos depois, uma oportunidade inesperada abriu um novo caminho para a capixaba.

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Em novembro de 2018, uma jogadora da Seleção Brasileira de vôlei sentado viu Luiza em um programa de televisão e entrou em contato com ela. Naquele período, a atleta já havia passado por duas cirurgias. Em março de 2019, aceitou o convite para conhecer a modalidade.

A experiência deu início à carreira de Luiza no esporte paralímpico. Desde então, ela passou a integrar a Seleção Brasileira de vôlei sentado e conquistou importantes resultados internacionais.

Entre os títulos da capixaba estão a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e o ouro no Mundial da Bósnia, em 2022.

Entre treinos, viagens e novos planos

Fora das quadras, Luiza também compartilha com os seguidores momentos da rotina. Nas redes sociais, a atleta costuma mostrar os exercícios físicos e a preparação para as competições, além de registrar viagens e momentos da vida pessoal.

Apaixonada por viagens, ela também vive uma nova fase fora do esporte. No início deste ano, Luiza ficou noiva.

A atleta nasceu em julho de 1997 e, além da carreira esportiva, é formada em Jornalismo. Luiza Fiorese também foi coroada rainha da 38ª Festa da Polenta em Venda Nova do Imigrante, em 2016.

Uma nova decisão depois de 12 cirurgias

Após passar por 12 cirurgias desde a adolescência, a atleta paralímpica Luiza Fiorese decidiu amputar a perna e iniciar uma nova fase da vida. A jogadora de vôlei sentado recebeu alta no domingo (4) e contou, com exclusividade ao g1, como tem sido a adaptação após o procedimento.

Medalha de ouro no Mundial da Bósnia, em 2022, e bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, Luiza passou por uma amputação transfemoral, realizada logo acima do joelho. No final de setembro, Luiza publicou um vídeo nas redes sociais contando sobre o que a levou a tomar essa decisão.

Para ela, a cirurgia representa o fim de um ciclo marcado por procedimentos médicos e o começo de uma rotina com mais liberdade e qualidade de vida.

Do câncer à decisão pela amputação

A história de Luiza com os procedimentos médicos começou aos 15 anos, quando ela foi diagnosticada com um osteossarcoma, tumor que atinge os ossos. No caso dela, o câncer foi encontrado no fêmur, o maior osso do corpo humano, localizado na coxa.

Após o tratamento, parte do fêmur esquerdo da atleta precisou ser substituída por uma endoprótese, um implante cirúrgico usado para substituir parte ou a totalidade de um osso.

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Em junho deste ano, Luiza passaria por uma nova troca da endoprótese. O implante antigo foi retirado e um espaçador foi colocado no local para preparar a cirurgia.

Durante esse período, porém, o espaçador se quebrou enquanto a atleta se movimentava na cama. O problema provocou dores e novas complicações.

Foi quando o médico apresentou duas possibilidades à paciente: colocar uma nova endoprótese, que precisaria ser substituída novamente cerca de dez anos depois, ou realizar a amputação, que poderia ser a última cirurgia da vida dela.

Luiza contou que a possibilidade de passar novamente por anos de procedimentos fez com que ela refletisse sobre a vida que desejava ter no futuro. A decisão foi tomada após conversar com a família, o noivo, amigos e médicos.

Médico conseguiu preservar parte da perna

A jogadora de vôlei explicou que, como o osso da coxa era muito curto, a amputação normalmente seria realizada na altura do quadril.

O médico, porém, aproveitou a parte saudável dos ossos abaixo do joelho. Eles foram reposicionados e unidos à parte restante do fêmur com uma placa, permitindo que a amputação ficasse mais próxima do joelho.

A recuperação e a adaptação ainda estão no início. Mesmo assim, Luiza já percebe mudanças positivas na rotina. Antes da cirurgia, ela estava andando com a ajuda de muletas havia três meses. Segundo a atleta, as atividades do dia a dia ficaram mais fáceis depois da amputação.

'Liberdade de viver de novo'

Para Luiza, a amputação não representa uma perda. Ela afirmou que o procedimento trouxe a possibilidade de recuperar a liberdade. A possibilidade da amputação já havia sido pensada anteriormente, mas a atleta disse que foi importante ela se preparar psicologicamente e amadurecer primeiro.

"Eu não vejo a amputação como uma coisa que me tirou algo. Eu vejo como algo que me deu liberdade de viver de novo", disse.

A atleta também defende que a amputação seja tratada com mais naturalidade e que as necessidades das pessoas com deficiência sejam consideradas, inclusive os impactos emocionais, familiares e financeiros e o alto custo das próteses.

"A vida não para com amputação. Falo disso no lugar da menina de 15 anos que teve que colocar uma endoprótese. Minha vida não parou ali, só se multiplicou. Conquistei coisas que jamais imaginei conquistar", relembrou.

Novas rotinas

Luiza passou pelo procedimento em São Paulo, mas pretende concluir a reabilitação perto dos pais e dos cachorros, no sítio da família em São Roque, comunidade rural de Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo.

Os primeiros objetivos são recuperar a mobilidade, andar bem e voltar a ter qualidade de vida. Depois, Luiza quer viajar. Ela contou que precisou cancelar diversos passeios por causa das cirurgias e das complicações. Agora, pretende conhecer novos destinos ao lado da família e das amigas.

Uma das mudanças que já espera experimentar é durante as viagens de avião. Como não conseguia dobrar o joelho, tinha dificuldade para se acomodar nos assentos.

"Eu tô doida para ver como vai ser entrar num avião agora que eu posso sentar reto numa cadeira e só ir", contou, animada.

Apoio do noivo

Luiza também contou com o apoio do noivo, Gabriel Garcia, que também é atleta. Ele a pediu em casamento em fevereiro deste ano. Segundo a atleta, Gabriel ajudou a dar segurança para que ela tomasse a decisão pensando no próprio bem-estar.

"Ele me mostrou que nada mudaria entre nós e que continuaria me achando linda, o que me deu paz para decidir pensando só em mim", disse.

O casamento ainda não tem data marcada. A definição depende das programações esportivas dos dois, incluindo as próximas edições das Olimpíadas e Paralimpíadas.

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