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Projeto de terras raras comprado em MG está em licenciamento e tem parte da produção negociada com empresa sul-coreana

01/10/2026

Projeto de terras raras comprado em MG está em licenciamento e tem parte da produção negociada com empresa sul-coreana

O projeto de terras raras Caldeira, negociado por R$ 3,5 bilhões, está em licenciamento e tem 30% da futura produção negociada com a sul-coreana POSCO.

Previsto para 2028 em Caldas (MG), o projeto extrairá argila iônica sem barragens de rejeitos. As cavas abertas serão preenchidas no sistema backfill.

A Justiça Federal determinou reavaliação sobre risco de radioatividade devido à proximidade de antiga mina de urânio. O MPTCU solicitou auditoria sobre a exploração regional.

O projeto de exploração de terras raras Caldeira, negociado entre as empresas australianas Meteoric Resources e Lynas Rare Earths por R$ 3,5 bilhões, ainda está em fase de licenciamento, tem parte da sua produção futura negociada com uma empresa sul-coreana e está ao lado de uma antiga mina de urânio.

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As Meteoric e a Lynas anunciaram a transação na quarta-feira (30) e devem enviar aos acionistas, em dezembro, um documento com os detalhes da operação. A assembleia está prevista para janeiro de 2027 e, se todas as condições forem cumpridas, o negócio deve ser concluído até março.

O projeto Caldeira prevê a exploração de 425 hectares no município de Caldas (MG), a partir de 2028, em um depósito estimado de 1,6 bilhão de material rico em terras raras.

Anualmente, o empreendimento deverá processar 5 milhões de toneladas de argila iônica e gerar 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras.

🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa.

O empreendimento deve se tornar um dos mais importantes na corrida por minerais críticos, com capacidade para abastecer 8% da demanda mundial por terras raras.

O projeto está em fase de licenciamento ambiental. Em dezembro de 2025, a licença prévia foi aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam) e, em março deste ano, a empresa entrou com o processo para a licença de instalação.

Em paralelo, a empresa assinou um memorando de parceria estratégica com a sul-coreana POSCO International Corporation que prevê que a companhia asiática possa adquirir até 30% da produção de terras raras do projeto Caldeira, por um período de até sete anos.

A Meteoric também encaminhou amostras do material coletado na área do projeto para empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia para testes técnicos e possíveis negociações comerciais futuras.

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Como será a mineração

Segundo a Meteoric, a extração de terras raras será feita a partir de argila iônica, em uma mina a céu aberto de mineração rasa, sem uso de explosivos e sem barragens de rejeitos.

Após a extração, as cavas abertas serão preenchidas com a própria argila tratada, no sistema backfill (preenchimento), que consiste em um ciclo contínuo de extração e recuperação ambiental do local minerado. Enquanto uma nova cava é aberta para a extração do minério, cavas abertas anteriormente são preenchidas com argila de onde já houve a extração de terras raras.

O projeto prevê que a extração dos elementos terras raras será feita por meio de lixiviação, uma espécie de lavagem da argila que utiliza uma solução química para retirar minérios.

De acordo com a Meteoric, o sistema é sustentável, consome pouca energia, não utiliza ácidos fortes no estágio de extração e permite que, após cerca de um ano, a área minerada já não apresente mudanças visíveis no relevo.

Mina está próxima de resíduos radioativos

O projeto Caldeira tem sido alvo de questionamentos devido à proximidade com a antiga mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (UDC/INB).

A unidade está desativada desde meados da década de 1990 e em processo de descomissionamento, mas abriga 12 mil toneladas de resíduos radioativos distribuídos em tambores — armazenados em galpões e no subsolo — e em uma barragem.

Em maio, a Justiça Federal determinou a reavaliação técnica sobre o risco de radioatividade do projeto, após apontar dúvidas técnicas e lacunas de informações relacionadas aos riscos radiológicos do empreendimento.

Após alerta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a necessidade de mais estudos sobre os impactos da mineração de terras raras na região, o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), Lucas Rocha Furtado, solicitou, em setembro deste ano, que a corte autue um processo de fiscalização e realize uma auditoria operacional sobre a exploração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas, que engloba os projetos Caldeira, da Meteoric, e o ColosProjeto de terras raras comprado por R$ 3,5 bi está em licenciamento e tem 30% da produção negociados com empresa sul-coreanasus, da mineradora Viridis.

Sobre os questionamentos do Ibama e do TCU, a Meteoric afirma que tem confiança na robustez dos estudos técnicos, ambientais e sociais que fundamentam o processo de licenciamento do Projeto Caldeira, conduzido junto aos órgãos competentes e em conformidade com a legislação vigente.

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