No mês passado, durante o 81º. Congresso Brasileiro de Cardiologia, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) lançou a terceira edição da sua Diretriz de Cardiogeriatria, que funciona como o principal guia científico e prático para orientar os cardiologistas no diagnóstico, estratificação de risco e tratamento de pacientes idosos com doenças cardiovasculares. O documento, com mais de 170 páginas, reforça que as decisões clínicas não devem ser baseadas apenas na idade cronológica, ou seja, o tratamento tem que ser definido pelas condições de saúde do paciente, como capacidade funcional, fragilidade e a presença de outras enfermidades, e não pela idade registrada no documento.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Y/1/5lYafNSQmyoBH8AR6ANQ/diretrizcardiogeriatria.webp)
A principal novidade é um capítulo dedicado à síncope (desmaio). Essa é a primeira diretriz do mundo a abordar a questão com foco exclusivo na população geriátrica. Sendo uma das principais causas ocultas de quedas em idosos, ela pode indicar doenças cardiovasculares potencialmente graves.
De acordo com a diretriz, cerca de 45% das quedas não acidentais nesse grupo correspondem a episódios de síncope não reconhecidos. A SBC alerta ainda que a polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos diários) pode provocar queda da pressão arterial, tonturas e desmaios. Ao contrário dos indivíduos mais jovens, que esboçam uma reação de defesa ao desmaiar, o idoso cai sem proteção, resultando em fraturas graves, como a de fêmur, e traumatismos cranianos. O papel do cardiologista é fundamental na revisão de prescrições!
Outro ponto de destaque são as recomendações sobre a fragilidade em idosos – síndrome caracterizada pela perda da reserva fisiológica, o que torna a pessoa extremamente suscetível a qualquer evento adverso, como uma infecção, desidratação ou até uma mudança na dosagem de um remédio. A fragilidade não é um processo inevitável da idade e seu quadro pode ser reversível por meio de exercícios de resistência e força. A sarcopenia (perda de massa e força muscular) é um dos primeiros indicadores da condição, e há formas de identificá-la:
Falta de força nas mãos, perceptível em um aperto de mão fraco.Dificuldade de se levantar da cadeira ou da cama, necessitando de apoio.Marcha excessivamente lenta.Exaustão física constante.
Na verdade, a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é o padrão-ouro que deveria estar à disposição de todos os idosos. O processo é interdisciplinar e seu objetivo é identificar problemas clínicos, funcionais, cognitivos, nutricionais, psicológicos e sociais, contando com a atuação coordenada de diferentes profissionais.

