Fábio Felix (Psol) foi o deputado federal mais votado no Distrito Federal, com 224.224 votos. No entanto, seu partido não elegeu outros representantes na unidade.
Isso ocorreu porque os outros candidatos do PSOL não atingiram a votação mínima. Enfermeira Karine (PSOL) obteve 4.336 votos, mas precisava de 20,7 mil.
Em contraste, o PL obteve 448.883 votos e elegeu 3 deputados federais no Distrito Federal. Para isso, eleitores distribuíram os votos entre diferentes candidatos.
Cenários parecidos ocorreram em São Paulo, com Erika Hilton (PSOL), e em Minas Gerais, onde o PL elegeu 21 deputados federais.
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No Distrito Federal, o candidato mais votado para a Câmara não conseguiu "puxar" nenhum colega de partido para o Legislativo federal.
Fábio Felix (PSOL) recebeu 224.224 votos no domingo (4):
a terceira maior votação da história do DF para um deputado federal;100 mil votos a mais que o segundo colocado;mais de 90% dos votos para candidatos à Câmara da federação PSOL-Rede na capital.
O problema no cálculo está, justamente, nesse último ponto. A segunda candidatura mais votada do grupo PSOL-Rede, da Enfermeira Karine (PSOL), recebeu apenas 4.366 votos – desempenho bem abaixo do mínimo necessário para que ela se beneficiasse do excedente de votos de Fábio.
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Essa regra se chama "quociente eleitoral" (veja o cálculo em detalhes mais abaixo).
No DF, ela exige que um candidato tenha pelo menos 20,7 mil votos próprios para receber um mandato. O número varia em cada unidade da Federação e em cada eleição.
A federação PSOL-Rede não foi a única prejudicada. Segundo mais votado no DF, Rafael Prudente (MDB) se reelegeu com folga e recebeu 119.427 votos, mas também será o único representante do partido na bancada do DF da Câmara.
Quem conseguiu 'puxar' aliados?
Terceiro mais votado, Alberto Fraga (PL) recebeu 118.579 votos. E o PL, ao todo, 448.883.
Com isso, o PL terá uma bancada de três deputados, sendo um deles por média – ou seja, pelo cálculo do quociente eleitoral: o atual senador Izalci Lucas, que recebeu 88.056 votos.
➡️ Izalci, sozinho, teve a quinta maior votação do DF. No entanto, segundo o sistema do TSE, ele só garantiu a cadeira em razão do somatório de votos do PL.
A soma de votos do partido – no caso, da federação – também garantiu uma vaga extra para o grupo PT-PV-PCdoB.
A federação terá duas cadeiras: uma ocupada pelo ex-governador Agnelo Queiroz (PT), eleito com votação própria (43.542), e outra, pelo deputado federal reeleito Reginaldo Veras (PV), com 43.179 votos.
Somadas, as candidaturas da federação amealharam mais de 230 mil votos, o que garantiu os dois mandatos. No caso de Reginaldo Veras, mesmo com a diferença de menos de 500 votos para Agnelo, o que garantiu a eleição foram as "sobras" dos votos dados aos colegas.
Como funcionam os puxadores de votos?
O número de vagas que um partido pode ocupar na Câmara dos Deputados depende de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário.
➡️Essa regra não vale para o Senado. Lá, a eleição é majoritária como a de presidente e governador: quem tiver mais voto é eleito, e ponto.
Os estados e o Distrito Federal têm um número definido de parlamentares na Câmara a cada mandato – ao todo, são 513.
O DF tem oito cadeiras. Por isso, ao fim da votação, o total de votos válidos (1.659.057) foi dividido por oito. O resultado, 207.382, é o quociente eleitoral do DF para a Câmara em 2026.
A partir desse número, são calculados os dois parâmetros que definem a distribuição das vagas.
➡️O total de votos recebidos por um partido/federação e por suas candidaturas é dividido pelo quociente eleitoral – e isso define o número de cadeiras. Por exemplo: o MDB recebeu 214.223 votos ao todo e, por isso, garantiu uma vaga.
➡️Em seguida, o TSE gera a lista de mais votados de cada partido/federação e começa a preencher as cadeiras. Mas, para entrar, um candidato precisa ter recebido pelo menos 10% dos votos do quociente eleitoral. No caso do cálculo acima, pelo menos 20.738 votos.
➡️Como esses cálculos não são exatos, ao fim, algumas cadeiras ficam vazias. Começa, então, a distribuição das sobras eleitorais. Aqui, o total de votos do partido/federação é dividido pelo total de cadeiras ocupadas, e quem tiver o maior resultado (a maior média) leva aquela vaga.
O cálculo tem muitas etapas e, por isso, é feito pela própria Justiça Eleitoral.
Para simplificar, basta entender que a federação PSOL-Rede recebeu 239.437 votos, e a federação PT-PV-PCdoB, 237.155 – 2,8 mil a menos.Esses números garantiram uma vaga direta para cada grupo – e, na rodada das sobras eleitorais, garantiriam uma vaga extra para PSOL-Rede. O problema é que, à exceção de Fábio Felix, nenhum outro candidato desses dois partidos recebeu os 20,7 mil votos necessários. Por isso, a vaga foi perdida pelas siglas.
Quadro se repetiu Brasil afora
Em outras unidades da Federação, os puxadores de votos do PSOL também não conseguiram usar toda a votação para reforçar suas bancadas.
Em São Paulo, Erika Hilton foi a segunda candidata mais votada, com 1,5 milhão de votos. O PSOL fez seis cadeiras, mas também esbarrou na falta de candidaturas que superassem os 10% do quociente eleitoral. Lá, além de Erika, os votos também se concentraram na reeleição de Sâmia Bonfim.
Por lá, a federação PT-PV-PCdoB fez quase 200 mil votos a menos que PSOL-Rede, mas conseguiu preencher 11 cadeiras – havia mais candidatos aptos por terem atingido a votação própria mínima.
Em Minas Gerais, o PL deu um "exemplo oposto": conseguiu eleger 21 deputados a partir do resultado recorde de Nikolas Ferreira, "puxador" com mais de 3 milhões de votos.
Dos 16 deputados eleitos com menor votação em MG, 15 são do PL. Um deles, o Sargento Mello-Casal, conquistou um mandato tendo recebido 25.090 votos. Enquanto isso, Cassio Soares (PSD) recebeu 100.410 votos, mas não foi eleito.
Em Minas, a federação PT-PV-PCdoB fez 13 eleitos, sendo 3 por média (o cálculo das sobras eleitorais). PSOL-Rede fizeram duas cadeiras, ambas por votação própria.

