A dona de casa Laise Carvalho, que se acorrentou a hospital pelo filho Kauan, de 5 anos, também cuida de Larissa, de 10 anos, em tratamento contra leucemia.
A família vive em Paraíso do Tocantins e tem despesas com viagens para Campinas e com a sonda enteral de Kauan.
Em protesto, Laise se acorrentou ao Ministério Público em 9 de setembro. Kauan foi transferido para São Paulo em 25 de setembro de 2026.
Em outubro, os médicos avaliaram Kauan e informaram que nada poderia ser feito pelo menino, devido a problemas pulmonares e neurológicos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/2/i/2X3N6HSxOzfSZtfV4hCA/copia-de-modelo-foto-fundo-borrado-5-.png)
A dona de casa Laise Sousa Carvalho, que se acorrentou aos portões do Hospital Geral de Palmas (HGP) para cobrar o tratamento cardíaco do filho Kauan, de 5 anos, tem uma rotina de cuidados com a saúde dos dois filhos em Paraíso do Tocantins. Além de prestar assistência contínua ao Kauan, ela acompanha a filha Larissa, de 10 anos, em tratamento contra a leucemia com viagens constantes ao interior de São Paulo.
A rotina com a menina exige viagens periódicas para Campinas (SP), onde Larissa faz acompanhamento no Centro Infantil Boldrini.
"Ela faz o tratamento de leucemia em Campinas e continua indo todos os meses lá no Hospital Boldrini. Todos os meses a gente tem que ir: ela faz exames, toma medicação e, se correr tudo bem, retorna para casa. O tratamento da Larissa ainda vai continuar com essas idas todos os meses até 2028."
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp
Em Campinas, Larissa passa por consultas, exames de controle e aplicações de medicamentos. Uma das avaliações regulares.
A rotina da menina inclui quimioterapia injetável semanal e comprimidos diários de quimioterapia oral com mercaptopurina (Purinethol). Aos fins de semana, Larissa toma doses preventivas de Bactrim para reforçar a imunidade.
Dificuldades financeiras e despesas
A família reside em Paraíso do Tocantins, a cerca de 60 km de Palmas, e sobrevive com o benefício assistencial de Kauan e o trabalho do pai das crianças como pedreiro. A mãe explica que isso às vezes não é o suficiente.
"Quando ele precisa viajar com a Larissa, não ganha dinheiro, porque ganha na diária quando tem serviço. Fica bem difícil para nós e faltam coisas básicas dentro de casa", relatou Laise.
Durante as viagens a Campinas, a família costuma ficar em uma casa de apoio, mas precisa arcar com os custos de alimentação e de corridas por transporte por aplicativo. Nos períodos em que Laise ou o marido viajam com a menina, Kauan fica sob os cuidados da avó materna e de outros parentes.
Mãe que se acorrentou em hospital usa galões de água para dar banho no filho durante crise hídrica: 'De copinho, para economizar'Entenda o caso da criança cuja mãe se acorrentou para conseguir cirurgia que acabou descartada pela equipe médicaMãe que se acorrentou em hospital por cirurgia do filho desabafa após saber que procedimento não será possível: 'Eu tentei o melhor'
Família sofreu impactos de crise hídrica
A família também enfrentou os impactos da crise hídrica que atingiu Paraíso do Tocantins, chegando a utilizar galões de água doados para racionar os banhos de Kauan. Segundo a mãe, o fornecimento de água encanada foi normalizado na residência, mas a família ainda usa água mineral para cozinhar.
"A Larissa faz quimioterapia e o Kauan tem a saúde muito frágil. A água vem esbranquiçada e com muito cloro, então só usamos mesmo para o banho", relatou Laise.
Kauan se alimenta exclusivamente por sonda enteral, não anda, não fala e apresenta dificuldades respiratórias. Ele necessita de suporte e materiais para a alimentação e a higiene diárias. Laise relata que os custos com insumos descartáveis têm pesado no orçamento.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/e/3/CVuUMBS5yA1i7AIztJbw/mae-acorrentada-.jpg)
Relembre o caso
A história de Kauan ficou conhecida depois que a mãe, em uma atitude de desespero, se acorrentou no portão do HGP, pedindo a transferência de Kauan. Depois que ela protestou em frente à unidade de saúde, a equipe médica emitiu um relatório que apontou a urgência do caso.
Na ocasião, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o paciente foi acompanhado no Hospital Municipal de Araguaína e que, após as avaliações médicas, foi apontado que a cirurgia de Fontan seria contraindicada nesse caso, devido às condições da criança, que apresentava comprometimento dos acessos vasculares e fragilidade clínica.
Na tarde do dia 9 de setembro, Laise deixou o HGP e se acorrentou em frente ao Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO).
No dia 12 de setembro de 2026, o Estado informou que a transferência do paciente estava liberada, mas ainda seria necessária uma vaga no hospital de São Paulo. A viagem só foi acontecer no final de setembro.
Kauan chegou em São Paulo no dia 25 de setembro de 2026. No hospital, o menino fez tomografia craniana, tomografia torácica e encefalograma. Ele também chegou a passar por cateterismo no dia 29 de setembro.
Os médicos se reuniram na primeira semana de outubro para discutir se Kauan estaria em condições de passar por algum procedimento cirúrgico. Logo depois, a Laise recebeu a notícia de que nada poderia ser feito pelo filho.
"É bem difícil começar. Esse vídeo, sabe? A médica acabou de passar, fizeram a reunião e infelizmente não tem nada para se fazer pelo Kauan. Ele tem muitos problemas neurológicos, no pulmão, e não dá para fazer nada por ele", disse a mãe em uma pulicação nas redes sociais.

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/I/1/90JqVBSoWsNAkjZc68dQ/2021-01-12t220145z-1-lynxmpeh0b1jv-rtroptp-4-health-coronavirus-brazil-anvisa.jpg)

