O lateral-direito Williams Bahia entrou com uma ação trabalhista contra a Ponte Preta cobrando R$ R$110.208,32 após deixar o clube sem sequer disputar uma partida oficial. Entre as reclamações, ele reivindica uma indenização por impossibilidade de exercício da atividade profissional.
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A reportagem do ge entrou em contato com a assessoria de imprensa da Ponte sobre o caso. A posição foi a seguinte:
- A Ponte Preta reforça que esclarecimentos sobre o mérito da questão só poderão ser prestados após a regular ciência dos autos do processo na esfera judicial.
No processo protocolado na Justiça do Trabalho de Campinas (3ª Vara), em 18 de setembro, o jogador alega que assinou um pré-contrato com a Macaca em 17 de julho deste ano para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, mas não conseguiu ser registrado na CBF por causa das punições que impediam o clube de inscrever novos atletas devido à grave crise financeira alvinegra.
Eram três transfer bans (dois na Fifa e um na CNRD - Comissão Nacional de Resolução de Disputas), que posteriormente foram derrubados em parceria com a SAF do Boavista, mas quando Williams já tinha deixado o Majestoso.
Segundo a ação, o vínculo teria duração até 30 de novembro de 2026. O atleta afirma que chegou a se apresentar ao clube, participou normalmente dos treinamentos com o elenco profissional e permaneceu à disposição da comissão técnica por mais de um mês enquanto aguardava a regularização da situação da Ponte Preta.
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Sem a liberação para registro, porém, acabou liberado em 27 de agosto. No processo, o atleta sustenta que o pré-contrato firmado tem validade jurídica e gera obrigações para ambas as partes, reivindicando o pagamento de R$ 33,3 mil - valor referente ao período entre sua chegada ao clube e a saída.
Outro ponto da ação está relacionado ao que os advogados chamam de "perda de oportunidade" ou "impossibilidade do exercício da atividade profissional". O jogador afirma que, ao permanecer aguardando a possibilidade de ser inscrito pela Ponte, acabou deixando de buscar outras opções profissionais durante a janela de transferências. Por essa razão, ele solicita indenização por "dano extrapatrimonial" de R$ 62,5 mil.
A tese jurídica utilizada é conhecida no Direito como "perda de uma chance". Nesses casos, o pedido de indenização não se baseia necessariamente em um prejuízo já consumado, mas na perda de uma oportunidade concreta que poderia trazer benefício profissional ou financeiro.
Caberá à Justiça avaliar se o atleta conseguiu demonstrar que havia uma possibilidade real de atuar por outra equipe e que essa oportunidade foi frustrada em razão da situação enfrentada na Ponte Preta.
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Na petição, os representantes Williams Bahia afirmam que a impossibilidade de registro ocorreu exclusivamente por responsabilidade do clube, que continuou contratando reforços mesmo sem estar apto a inscrevê-los junto à CBF. Depois de deixar a Ponte, ele retornou ao Azuriz-PR, onde entrou duas vezes em campo pela Copa Paraná.
Recentemente, outros dois jogadores que também nem estrearam pela Ponte processaram o clube. Nos casos do goleiro Douglas Marques e o zagueiro Diogo Silva, as ações, além de, somadas, cobrarem R$ 385 mil, pedem que o presidente Luiz Antônio Alves Torrano e o vice-presidente Marco Antônio Eberlin respondam por eventuais dívidas reconhecidas pela Justiça, alegando gestão irregular e temerária em meio à crise sem fim que o clube atravessa.
"Quase insolvência"
Em entrevista recente, quando os associados rejeitaram a criação da SAF (Sociedade Anônima de Futebol), o diretor jurídico alvinegro, José Henrique Specie, citou que a Ponte vive "um cenário de quase insolvência".
Segundo uma auditoria feita durante as conversas com um grupo de investidores para a criação da SAF (a proposta era de aproximadamente R$ 1 bilhão), a dívida total do clube gira em torno de R$ 320 milhões (sem considerar o débito relacionado ao IPTU, estimado em cerca de R$ 20 milhões), com um déficit mensal nas casas dos R$ 2,8 milhões.
O último balanço do clube, relacionado a 2025, último ano da gestão de Marco Antonio Eberlin como presidente (hoje ele é vice de Luiz Alves Torrano e diretor de futebol), apresentou um déficit de R$ 33.575,770 no período.
A falta de recursos tem causado atrasos salariais recorrentes desde 2025 entre jogadores, profissionais do departamento de futebol e também funcionários no geral.
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Quando anunciaram a paralisação das atividades, em agosto (o protesto durou uma semana), os jogadores afirmaram que alguns estavam há cerca de seis meses sem receber. O ge apurou que, em casos específicos de profissionais do departamento de futebol, os atrasos já ultrapassaram um ano.
Recentemente, a diretoria pagou um dos vários meses em aberto a atletas da base que integram o profissional - com salários menores - e parte de um mês a outros jogadores, mas a maioria não recebeu nada.
Na semana passada, quando anunciou a entrega de cestas básicas a funcionários, o clube também disse que "os atrasos de salários de todos funcionários serão equacionados e colocados em ordem nos próximos dias".
Em campo, a campanha na Série B é reflexo do caos nos bastidores, e o rebaixamento pode ser sacramentado com sete rodadas de antecedência já no próximo sábado, quando o time encara o Cuiabá, fora de casa. Será a segunda queda em 2026, uma vez que a Ponte já tinha caído no Paulistão.

