O empresário Pedro Emilio Kuhn Justus foi denunciado no Paraná por usar a senha do gov.br da ex-esposa para transferir duas de suas empresas e ameaçá-la.
Segundo o MP-PR, uma transferência declarou R$ 4 milhões nunca pagos à vítima. A outra causou prejuízo patrimonial ao incluir um carro avaliado em R$ 870 mil.
O réu também é acusado de ameaçar a ex e a ex-sogra. A defesa do empresário afirma que o caso é um conflito patrimonial e provará sua inocência.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/2/D/TXcQhcQzC3IxdwFBAVYQ/g1-3-.png)
O empresário Pedro Emilio Kuhn Justus, de 32 anos, foi denunciado à Justiça por usar a senha do gov.br da ex-esposa de 31 anos para roubar duas empresas dela e também por ameaçá-la em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
Segundo a denúncia formalizada pelo Ministério Público do estado (MP-PR), o homem aproveitou que tinha acesso à conta virtual da vítima e passou duas empresas da ex-esposa para o próprio nome, sem conhecimento dela.
Em uma das transferências, ele declarou um valor de R$ 4 milhões, que nunca foi pago à vítima, e em outra causou à mulher "expressivo prejuízo patrimonial, considerando que o acervo da empresa incluía veículos de luxo, como um Porsche Panamera avaliado em R$ 870 mil", diz a denúncia.
A promotoria ainda aponta que ele também chegou a ameaçar a mulher e a ex-sogra para tentar evitar dividir bens no divórcio. Saiba mais abaixo.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ponta Grossa no WhatsApp
Pedro Emilio Kuhn Justus foi denunciado três vezes pelo crime de ameaça contra a mulher e duas por estelionato, agravado por prevalecer-se de relações domésticas. A denúncia está em análise no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
Luís Gustavo Janiszewski, advogado que atua na defesa do empresário, afirma que a denúncia "ainda não ganhou corpo", alega que o que existe é "um conflito patrimonial de duas pessoas que tiveram relacionamento" que não deveria correr na justiça criminal, e que acredita que o processo vai provar a inocência do empresário.
"Essa denúncia, que ainda não foi recebida, ainda não ganhou corpo. É necessário, primeiro, uma decisão judicial e depois o devido processo legal. Não tenho dúvida de que ele será absolutamente absolvido de todas as imputações que ocorrem neste momento, mas o pano de fundo e o que chama a atenção é que existe um conflito patrimonial de duas pessoas que tiveram um relacionamento. Infelizmente, a Justiça criminal não é dada a resolver esse tipo de conflito e está sendo utilizada de uma maneira errada. O devido processo legal provará a inocência deste empresário", afirma.
Adriele Andrade, advogada que trabalha junto com Fernando Madureira na defesa da vítima, conta que a Justiça concedeu uma liminar para impedir a transferência das empresas e dos veículos e uma medida protetiva para impedir que o empresário se aproxime da vítima ou a contate de outra forma.
"Ao todo, são cinco crimes imputados pelo Ministério Público, sendo dois estelionatos e três ameaças. Consideradas as penas em concurso material, a soma pode chegar a 13 anos de reclusão. É importante destacar que a violência patrimonial também é uma forma de violência contra a mulher expressamente reconhecida pela Lei Maria da Penha, especialmente quando há retenção, subtração ou destruição de seus bens e recursos econômicos", diz ela.
Veja vídeo: Casas ficam debaixo d'água após temporais causarem alagamentos no ParanáLatrocínio: Mulheres matam vendedores de carro após atraí-los para emboscada para roubar veículoEntenda: Fogo toma conta de transporte escolar com criança de 5 anos dentro; polícia investiga a situação
Ameaças
Na denúncia, a promotoria cita dois casos em que Pedro ameaçou a ex, e um em que a ameaça foi direcionada à mãe dela. Todos são apontados como tendo acontecido após as transferências das empresas.
Segundo o MP, em um primeiro momento ele disse à ex que, caso ela ingressasse com ação judicial de partilha de bens, eles “iriam se matar e que isso seria pior para ela”. Depois, afirmou que iria divulgar imagens da mãe dela na cidade, escrevendo: “Vou fazer outdoor na cidade com print da tua mãe, se você não atender essa m***a. Não adianta bloquear”.
Por fim, ainda disse à ex-sogra que possuía "materiais comprometedores e informações pessoais que seriam expostos publicamente, com o objetivo de forçá-la a influenciar sua filha a desistir do litígio patrimonial", afirma o MP.



