As eleições legislativas de meio de mandato nos EUA ocorrerão em 3 de novembro. A votação renovará quase todo o Congresso, sendo crucial para o presidente Donald Trump.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19) apontou 66% de desaprovação ao governo de Trump. O índice está entre os mais altos de seus dois mandatos.
Projeções indicam que o Partido Democrata pode conquistar o controle da Câmara e do Senado. Atualmente, os republicanos controlam ambas as Casas legislativas por margem pequena.
Com gastos superando US$ 15 bilhões, esta eleição deve ser a mais cara dos EUA. Na terça-feira (20), Trump anunciou US$ 400 milhões para candidatos republicanos.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão marcadas para o dia 3 de novembro, uma terça-feira. A votação vai renovar quase todo o Congresso americano e é crucial para o presidente Donald Trump.
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▶️ Contexto: Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis.Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.Sendo assim, em novembro, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.Também haverá eleições para eleger governadores de 36 estados.
Mesmo com a eleição estando marcada para 3 de novembro, a votação antecipada já começou em alguns estados. Inclusiva, boa parte dos eleitores já votou pelo correio.
Cada estado é responsável por apurar os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país.
Em geral, a apuração começa assim que os locais de votação fecham. O horário varia de estado para estado.
Na Flórida, por exemplo, a votação termina às 19h. Em Nova York, os eleitores têm até as 21h. No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado.
Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite de 3 de novembro. No entanto, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado.
Em 2022, por exemplo, a disputa pelo controle da Câmara só foi definida mais de uma semana após a eleição. A demora ocorreu, entre outros fatores, porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio.
Veja, a seguir, um guia de perguntas e respostas sobre as eleições de 2026:
O que são as midterms e por que elas têm esse nome?Como funciona o sistema eleitoral americano?Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?Desaprovação recorde: como Trump chega às midterms?Como está a disputa pelo Senado?Como está a disputa pela Câmara?Voto pelo correio: como funciona e por que virou um dos principais temas da campanha?A guerra dos mapas eleitorais: por que republicanos e democratas entraram nessa disputa?
1. O que são as midterms e por que elas têm esse nome?
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As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.
As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano.Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato.Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027.Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029.
A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado.
2. Como funciona o sistema eleitoral americano?
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O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças importantes em relação ao brasileiro. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes.
No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Por isso, a Casa tem 100 senadores no total.
Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população. Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral.
Os distritos são áreas dentro de cada estado que podem reunir cidades inteiras ou apenas parte delas.O 11º distrito de Nova York, por exemplo, reúne apenas alguns bairros da cidade de Nova York.Esses distritos são desenhados com base na população. Em geral, cada um deve ter um número parecido de habitantes.Isso significa que cada deputado representa uma fatia semelhante da população dentro do estado.Como o número de deputados de cada estado depende da população, estados mais populosos têm mais representantes na Câmara.
Antes das midterms, os partidos realizam eleições primárias para escolher os candidatos que vão disputar cada cargo.
Sendo assim, na maioria dos estados e distritos, a disputa acaba concentrada em dois candidatos: um republicano e um democrata que venceram as primárias dos respectivos partidos.
Candidatos independentes também podem participar das eleições. No entanto, em geral, eles têm menos visibilidade e recebem menos votos.
3. Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?
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Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas.
Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações.
Agora, Trump quer manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo.
4. Desaprovação recorde: como Trump chega às midterms?
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Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19) apontou que 66% dos americanos desaprovam o governo de Donald Trump. O índice está entre os mais altos da série histórica para os dois mandatos do presidente.
Além disso, o levantamento apontou que 31% aprovam o governo Trump. O índice é o mais baixo registrado por uma pesquisa Reuters/Ipsos nos dois mandatos do republicano e está abaixo do registrado pelo antecessor dele, Joe Biden.
Segundo a pesquisa, a insatisfação dos eleitores está ligada principalmente à forma como Trump conduz a economia e ao alto custo de vida nos Estados Unidos.
5. Como está a disputa para o Senado?
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Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro.
Atualmente, os republicanos têm 53 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar junto com o partido. As projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir de 2027. Veja a seguir.
📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 14 de outubro, o cenário era o seguinte:
Democratas: 49 cadeirasRepublicanos: 46 cadeirasDisputas indefinidas: 5 cadeiras
📊 Race to the WH
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 20 de outubro, a previsão era a seguinte:
Democratas: 52 ou 53 cadeirasRepublicanos: 47 ou 48 cadeirasChance de vitória dos democratas: 72,9%
📊 270toWin
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:
Democratas: 48 cadeirasRepublicanos: 47 cadeirasDisputas indefinidas: 5 cadeiras
6. Como está a disputa para a Câmara?
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De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19) apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano.
Atualmente, os republicanos têm 218 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 214 deputados. Há ainda um deputado independente e duas vagas em aberto.
Assim como no Senado, as projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir do ano que vem. Confira abaixo.
📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 20 de outubro, o cenário era o seguinte:
Democratas: 223 cadeirasRepublicanos: 200 cadeirasDisputas indefinidas: 12 cadeiras
📊 Race to the WH
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 20 de outubro, a previsão era a seguinte:
Democratas: 234 cadeirasRepublicanos: 201 cadeirasChance de vitória dos democratas: 88,9%
📊 270toWin
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição da Câmara após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:
Democratas: 220 cadeirasRepublicanos: 200 cadeirasDisputas indefinidas: 15 cadeiras
7. Voto pelo correio: como funciona e por que virou um dos principais temas da campanha?
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Todos os 50 estados permitem alguma forma de votação pelo correio. Desses, 37 estados e Washington, D.C., permitem que os eleitores solicitem uma cédula sem apresentar justificativa, segundo levantamento do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral.
As regras variam de estado para estado. De forma geral, os eleitores que escolhem essa modalidade recebem a cédula pelo correio, preenchem o documento e o enviam de volta dentro do prazo estabelecido.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido restrições ao voto pelo correio e afirma que o sistema é suscetível a fraudes.
Em março, ele assinou um decreto para endurecer as regras de votação por correspondência e ampliar a verificação da cidadania dos eleitores.A medida prevê a criação de uma lista federal de cidadãos aptos a votar pelo correio, elaborada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA e pela Administração da Seguridade Social.Pelo decreto, as cédulas enviadas pelo correio só poderiam ser entregues a pessoas incluídas nesse cadastro.Trump afirma que a medida visa impedir fraudes e que pessoas sem cidadania americana votem nos Estados Unidos.
Alguns estados e organizações de defesa do direito ao voto contestaram judicialmente as novas regras. Eles argumentam que a Constituição dos EUA atribui aos estados e ao Congresso, e não ao presidente, o poder de definir as regras eleitorais.
Em setembro, a Suprema Corte manteve o bloqueio a uma regra do Serviço Postal dos EUA que implementaria parte do decreto de Trump antes das eleições de novembro.
A norma exigiria que os estados enviassem listas de eleitores aptos a votar pelo correio e que os envelopes das cédulas tivessem códigos de barras específicos. Com isso, o órgão poderia recusar o envio de cédulas que não cumprissem essas exigências.
8. A guerra dos mapas eleitorais: por que republicanos e democratas entraram nessa disputa?
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Para evitar perder o controle da Câmara, Trump sugeriu que os republicanos apoiassem o redesenho dos distritos eleitorais nos estados. A estratégia era criar mapas mais favoráveis ao partido.
A ofensiva de Trump começou pelo Texas. O estado tem o segundo maior número de deputados do país e é um importante reduto republicano.
A proposta foi aprovada no estado em agosto de 2025 e já está em vigor. Com o novo desenho, a expectativa é que os republicanos ganhem vantagem ao redistribuir eleitores e reduzir o número de distritos em que os democratas tinham vantagem.
A estratégia, no entanto, gerou reação. Três meses depois, a Califórnia decidiu redesenhar o próprio mapa para favorecer os democratas. Com isso, a expectativa é que o partido conquiste cinco cadeiras atualmente ocupadas por republicanos.
Mas a disputa continuou. Os republicanos conseguiram redesenhar os mapas de outros seis estados: Alabama, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio e Tennessee.
Em Utah, uma decisão judicial também levou à criação de um distrito eleitoral com tendência democrata em Salt Lake City.
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