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Consumo médio de energia elétrica residencial volta ao maior patamar já registrado no Brasil

10/10/2026

Consumo médio de energia elétrica residencial volta ao maior patamar já registrado no Brasil

O sol se põe e o Brasil se acende, numa rotina que parece eterna. Mas, por trás de cada janela acesa, estão novos hábitos das famílias.

O gasto de energia elétrica reflete mudanças profundas ao longo do tempo. O consumo médio das residências voltou a se aproximar do maior patamar já registrado na história.

O Brasil está bem perto do recorde, atingido em dezembro de 1998. Em agosto deste ano, o dado mais recente, a média chegou ao nível mais alto do século XXI.

Ao longo desse período, os apagões e o racionamento de 2001 e 2002 provocaram uma queda acentuada no consumo.

Depois daquela crise, as estimativas indicavam que, por volta de 2010, as famílias brasileiras estariam novamente consumindo energia nos mesmos níveis anteriores ao apagão. Mas esse retorno levou quase 30 anos.

“Isso não é um dado negativo. Ao contrário, é um dado positivo, porque o consumidor residencial passou a ser mais racional no consumo de energia elétrica”, afirma Nivalde de Castro, coordenador do GESEL (Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ).

“Viemos crescendo dentro de um padrão de consumo normal, utilizando equipamentos muito mais eficientes”, acrescenta.

O engenheiro Márcio Américo é especialista em eficiência energética e relembra dicas para economizar no dia a dia. “Utilizar o sensor de presença. Nós temos aqui uma sala com iluminação LED, com luminária eficiente. Mas o que adianta fazer esse tipo de processo se você deixar acesa, com o ambiente desocupado?”, questiona.

Entre as orientações estão usar lâmpadas de LED, manter geladeiras em ambientes arejados e escolher aparelhos de ar-condicionado com selo Procel e etiqueta com a letra A, indicando que gastam menos energia.

Só que, mesmo com essas práticas já bem conhecidas, o consumo residencial vem crescendo. Segundo os especialistas, isso ocorre por vários motivos:

as ondas de calor, que aumentam o uso do ar-condicionado;o home office, que transfere parte do consumo comercial para as residências;os aluguéis por plataformas, em que os hóspedes gastam mais do que os moradores gastariam;os carros elétricos, que fazem uma fatia do orçamento das famílias migrar do posto para a conta de luz.

Os especialistas ressaltam também que a situação atual é muito diferente daquela da virada do século. “O que tem mais crescido na matriz elétrica brasileira é a energia solar e a energia eólica, com a grande vantagem de serem renováveis e não poluidoras”, explica Nivalde.

Márcio Américo afirma que a estrutura de distribuição e transmissão de energia e o sistema elétrico interligado estão bem dimensionados. “Você tem uma matriz energética basicamente limpa. No Brasil, quase 89% da energia é renovável”, diz.

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