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‘As aventuras do Super Chico’: menino com Down que venceu a Covid 2 vezes vira herói de livro escrito pela mãe

17/10/2026

‘As aventuras do Super Chico’: menino com Down que venceu a Covid 2 vezes vira herói de livro escrito pela mãe

O livro infantil "Super Chico", escrito pela mãe do menino que viralizou ao vencer a Covid-19 2 vezes, será lançado neste sábado (17) em Bauru (SP).

A obra homenageia o garoto com Síndrome de Down que morreu aos 6 anos em fevereiro de 2023. Ele ganhou o apelido de técnicos de enfermagem no hospital.

Para deixar a rotina de terapias mais leve, a mãe fantasiava Francisco e postava nas redes sociais. Esse universo lúdico inspira as ilustrações e histórias do livro.

O lançamento terá bate-papo, autógrafos e apresentações. Além da obra infantil, a mãe planeja publicar futuramente uma biografia sobre a história do filho.

A história de um pequeno herói da vida real inspirou as páginas do livro “Super Chico” que vai ser lançado neste sábado (17) em Bauru (SP).

A obra foi escrita pela mãe de Francisco Guedes Bombini, a advogada Daniela Bombini, em parceria com o escritor João Correia Filho. Conhecido pelo apelido que deu título ao livro, Francisco viralizou nas redes sociais ao vencer, por duas vezes, a Covid-19 durante a pandemia.

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A escolha do lançamento em outubro é uma homenagem ao menino que completaria 10 anos neste mês e acontece pouco mais de três anos após a morte dele. Chico sofreu uma parada cardiorrespiratória em fevereiro de 2023, aos seis anos, e não resistiu.

O apelido “Super Chico”, como o menino era conhecido nas redes sociais, foi dado ao pequeno quando ele ainda estava internado no hospital após o nascimento e já enfrentava grandes batalhas pela vida. O Francisco nasceu com Síndrome de Down e outros problemas de saúde e precisou passar por várias cirurgias.

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A primeira delas ainda durante a gestação, na barriga da mãe, e por outras seis depois que nasceu. Os procedimentos foram necessários devido a problemas renais, cardíacos e hipotireoidismo. Logo após o parto prematuro, foram seis meses “morando” no hospital para realização desses procedimentos.

“Foi um apelido dado por uma técnica de enfermagem do Hospital da Unimed, depois que ele saiu da cirurgia cardíaca, ela falou que ficou abismada, com tudo que ela já tinha visto ali, com o jeito que ele reagia. Ela passou em um camelô no dia seguinte, e viu uma camiseta do super-homem, e na hora que eu cheguei para a visita, a camiseta estava colada na incubadora, com fita crepe”, lembra Daniela.

Mesmo vivendo uma rotina intensa de cuidados com filho, Daniela encontrou um jeito de deixar os dias do menino mais leves e também uma forma de compartilhar a mensagem de superação do Chico, que sempre demonstrava força e resiliência.

Ela passou a compartilhar a rotina e vivências do menino nas redes sociais e, além do tradicional “Bom Dia, Chico” presente em todos os vídeos, uma característica marcante eram as fantasias temáticas. Nos vídeos, a mãe costumava “dar voz” ao filho, que apesar de ter 6 anos, tinha o metabolismo e o desenvolvimento de um bebê de 10 meses, e por isso não falava.

“O Super Chico era um personagem para mostrar toda a força que ele tinha, e a gente fazer isso, por incrível que pareça, por todos os desafios que ele passava e a gente tinha no dia-a-dia, a gente tentava passar uma leveza para todo mundo, também de forma supernatural. Então, qualquer coisa era motivo para eu tirar ele da rotina, qualquer coisa. É o dia da árvore, eu vou colocar o Chico de árvore, no Natal, de Papai Noel. E só depois disso ele ia para as terapias, que eram todas em casa, ele vivia em home care. A rotina era muito pesada. Ele tinha três folhas de sulfite com medicações que o dia todo que ele tinha que tomar. Então, eu pensava preciso fazer alguma coisa para o Chico ficar feliz.”

Aliás, a felicidade sempre foi a palavra de ordem na família.

“Eu criei “o código da felicidade” na época. E o artigo primeiro era todas as pessoas desse lar são obrigadas a ser felizes. Então, eu fazia com que toda a energia que tivesse em volta do Chico fosse uma energia positiva. Mesmo nos piores momentos. Então, eu sempre busquei, sempre tentei levantar ele dentro de casa, ali a gente conseguia fazer bastante isso. Foi assim que surgiram as fantasias. Era uma forma de tirar um pouco o peso daquela rotina intensa e dinâmica de terapias e medicamentos”, completa.

O livro

Esse universo que envolvia e coloria o dia do Chico está presente nas páginas do livro que foi escrito em uma linguagem simples e lúdica para crianças e também para pessoas com deficiência, que são a causa maior do trabalho desenvolvido pela advogada, inclusive, com a manutenção dos perfis do Chico nas redes sociais mesmo após a morte do menino.

“É uma história infantil, que tem que ser de leitura fácil, e eu queria também que chegas às pessoas com deficiência, que é a minha maior causa e acho que no fim das contas a gente conseguiu resumir mesmo aquilo que o Chico foi, quando passou por aqui. Com passagens que fizeram realmente parte da história dele.”

Nas páginas cheias de cores do livro, o Super Chico aparece com a roupa azul e capa vermelha características do super-herói que carrega o título de “menino mais forte do mundo”, como ele foi chamado na reportagem do Fantástico após receber alta do hospital durante a pandemia. (Assista ao vídeo abaixo).

Mas ele também é retratado com fantasias de pipoca, leão, palhaço, espantalho e outras que são “responsáveis” pelos superpoderes do menino nas situações adversas descritas no livro.

“A fantasia de pipoca, por exemplo, ele usou em certa oportunidade e que a gente colocou no livro. Ele espanta as coisas ruins que chegavam perto dele como vírus, bactéria como mostra os desenhinhos do livro. Então, a gente quis usar a própria história dele para mostrar pras pessoas que nem sempre as adversidades vão nos derrubar. As adversidades muitas vezes nos deixam mais fortes e com o Chico foi assim também”, explica.

O lançamento do livro será neste sábado (17), no Teatro Municipal, que fica na quadra 8 da Avenida Nações Unidas, a partir das 16h e além do bate-papo com o público sobre a história e autógrafo dos livros, o evento terá apresentação musical e a participação da Sorri, entidade que atende pessoas com deficiência.

Uma biografia no futuro

Além do livro infantil, Daniela confessa que tem o plano futuro de lançar uma biografia com a história do filho, que reúna os vários momentos de superação que a família passou.

“Durante todo o tempo que o Chico passou com a gente eu sempre ouvi das pessoas ‘você precisa escrever um livro, precisa registrar tudo isso, para perpetuar’. É um projeto futuro sim, mas nesse primeiro momento, esse livro que estamos lançando não é uma biografia, mas é parte da história dele e fizemos com muito amor com o propósito de transformar olhares”, finaliza.

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