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'Raio que o parta': Cacos de azulejo contam a história da arquitetura modernista de Belém

Arquitetura “Raio que o parta” marca a paisagem de Belém Em Belém, o reaproveitamento de cacos de azulejos se tornou um símbolo da arquitetura paraense e...

'Raio que o parta': Cacos de azulejo contam a história da arquitetura modernista de Belém
'Raio que o parta': Cacos de azulejo contam a história da arquitetura modernista de Belém (Foto: Reprodução)

Arquitetura “Raio que o parta” marca a paisagem de Belém Em Belém, o reaproveitamento de cacos de azulejos se tornou um símbolo da arquitetura paraense e parte da história da capital. A técnica, conhecida popularmente como "Raio que o parta", chama a atenção e marca a paisagem de bairros históricos. O estilo consiste em mosaicos de azulejos quebrados e formas geométricas que imitam raios coloridos nas fachadas das casas. Um exemplo é a residência das Irmãs Caripunas, cuja fachada foi uma ideia do avô, Seu Domingos, que era mestre de obras. "É uma coisa chamativa, maravilhoso o trabalho dele", comenta Kátia Caripunas, costureira. Rosa Inês Pereira, professora, reforça o valor cultural: "Nós não queremos mudar nada, porque é uma cultura de dentro de Belém do Pará". No entanto, o estilo inusitado dividiu opiniões de arquitetos entre os anos 1950 e 1960, época em que surgiu. ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Professora de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, Cybelle Salvador Miranda, explica que a expressão "Raio que o parta" surgiu como um apelido pejorativo. "Uma coisa cafona, algo que não merecia ser considerada arquitetura", disse a professora sobre a visão da época. Cacos de azulejo contam a história da arquitetura modernista de Belém. Reprodução A inspiração para o uso de azulejos veio do modernismo. No Brasil, paisagistas como Burle Marx já utilizavam azulejos para produzir mosaicos nas obras autorais. Em Belém, na época, não havia fábricas de azulejos, e o material vinha de fora do estado por caminhão. Devido às quebras durante o transporte, os cacos eram vendidos mais baratos, a quilo, para evitar prejuízo. A criatividade dos compradores deu origem a essa arquitetura modernista tipicamente paraense. O estilo conquistou, principalmente, quem não tinha recursos para contratar engenheiros e arquitetos. "Ele teve uma grande repercussão nas camadas mais populares onde as casas eram feitas por mestre de obras e muitas vezes pelos próprios proprietários", pontua Cybelle Miranda. A família da artista visual Danielle Fonseca e da historiadora Bárbara Palha é um exemplo dessa história. A bisavó delas reformou a fachada da casa para adotar o estilo. "Como eu costumo brincar, também queria ser moderna, assim como o resto do Brasil", explica Danielle. A casa, originalmente colonial, ganhou mais cor. Bárbara Palha conta que, em dado momento, houve a intenção de mudar a fachada. "Na década de 90, a minha mãe contratou uma arquiteta para fazer um projeto, e o projeto botava o Raio que o Parta abaixo", lembra, rindo. Mas a ideia não foi adiante. "Que bom que a ideia não foi para frente, né?!", completa Bárbara, que hoje, como historiadora, busca manter "essa memória viva, esse patrimônio vivo". A arquiteta e urbanista Gabriele Arnoud mantém um acervo colaborativo de fachadas "Raio que o parta" em redes sociais. O projeto busca chamar a atenção para a importância da arquitetura modernista e para a cultura de Belém. "A gente tenta resgatar e fortalecer esse pertencimento da população com o movimento do 'Raio que o parta' que foi e é muito importante na construção da nossa região, da nossa cidade, estado", diz Gabriele. O professor universitário Filipe Saraiva, ao comprar uma casa antiga, decidiu preservar a arquitetura "Raio que o parta" na fachada reformada. "É uma felicidade de estar numa casa desse tipo, uma casa que tem um valor histórico e a gente precisa preservar isso pela cidade", conclui. VÍDEOS com as principais notícias do Pará Acesse outras notícias do estado no g1 Pará.