Abertura da pesca do mapará impulsiona economia ribeirinha em Alenquer, no Pará
Canoas de pescadores artesanais deslizam pelas águas de Alenquer, no oeste do Pará, duranteo início da temporada de pesca do mapará Reprodução/TV Tapajós...
Canoas de pescadores artesanais deslizam pelas águas de Alenquer, no oeste do Pará, duranteo início da temporada de pesca do mapará Reprodução/TV Tapajós A tradicional pesca artesanal do mapará teve início nas águas da comunidade Urucurituba, no município de Alenquer, oeste do Pará. A atividade, que ocorre no amanhecer logo após o fim do período de defeso, mobiliza centenas de pescadores e é a base da economia local. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O evento não apenas preserva as tradições ribeirinhas, mas também reflete uma nova dinâmica social com a inclusão crescente das mulheres na captura direta dos peixes. Estratégia e Sustentabilidade Para garantir a preservação da espécie e a valorização do produto, a comunidade possui um acordo de pesca bem estruturado. A abertura não ocorre imediatamente após o fim do defeso oficial. Ernani Simões, vice-presidente da Comunidade Urucurituba, explica a decisão estratégica do grupo: "A gente estende sempre mais pra frente por conta da quantidade de peixe de outro lago, a gente deixa o peixe pra pescar só depois do dia 15 pra pegar um preço melhor." Além da data, o método de captura é rigorosamente controlado para não esgotar os estoques. "As nossas canoas aqui elas são só a remo, não pesca motorizado. São cinco panos de malhadeira cada canoa." Pesca artesanal sustenta famílias e mantém tradição em Alenquer O Espaço Conquistado pelas Mulheres Um dos grandes destaques da atual configuração da pesca do mapará é a presença feminina. Inicialmente trabalhando entre si, as pescadoras provaram sua eficiência e passaram a integrar as equipes principais ao lado dos homens. A pescadora Aurilete Sousa relembra como essa transição aconteceu na prática: "Elas pescavam era mulher com mulher. Aí depois que os homens viram que elas também tinham o jeito de pescar, aí eles pegaram, já botaram ela na proa da canoa..." Essa mudança trouxe um impacto direto e positivo na economia doméstica das famílias ribeirinhas. "Hoje, na nossa comunidade, a maioria pesca com seus esposos. Então a renda é bem melhor, porque não se divide, já vai só pra uma casa, é só pra uma família, aí fica melhor.", complementa Aurilete. Impacto na Região A fartura das redes garante o sustento durante boa parte do ano e movimenta toda a cadeia produtiva da região de Alenquer. Ernani Simões reforça o peso dessa tradição: "A pesca do mapará, ela é de suma importância para a comunidade, não só para a nossa comunidade, mas para a comunidade da Ituqui também, que faz parte da pesca junto conosco. Então é isso. Essa renda que vem para as famílias, ela é de suma importância para a pesca aqui no nosso município." A estratégia garante a sobrevivência da espécie nos lagos de Alenquer e, ao centralizar a produção no núcleo familiar, assegura a autonomia financeira das populações ribeirinhas a longo prazo. VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região